Xenófanes de Colofão
Nasceu em c. 570 a.C., em Colofão, Grécia (região atualmente pertencente à Turquia). Morreu em c. 475 a.C.
Diz a tradição que Xenófanes, após deixar sua Colofão natal muito jovem, teria levado uma vida de poeta errante na Sicília e na Eleia, no sul da Itália, então partes da Magna Grécia. Em suas declamações, dedicava-se principalmente a combater as ideias de figuras eminentes como Homero, Hesíodo, Tales e Pitágoras, especialmente a concepção de deuses que se assemelhavam aos homens e que intervinham nos assuntos mundanos. Clemente de Alexandria, em sua obra Tapeçarias, atribui a Xenófanes a seguinte ironia: “Mas, se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar a criar obras como os homens, os cavalos semelhante aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm” 1.
Sua doutrina, que nos chegou através de diversos fragmentos de seus poemas, falava da existência de um ser único e absoluto, que estaria na essência de todas as coisas e abarcaria toda a multiplicidade dos seres. Escreveu Aristóteles em sua Metafísica: ”[…] Parmênides parece referir-se ao [U]m segundo o conceito, e Melisso ao [U]m segundo a matéria. […] Xenófanes, o primeiro a postular a unidade (de Parmênides diz-se que foi discípulo dele), nada esclareceu, nem parece que vislumbrou nenhuma dessas duas naturezas, mas, dirigindo o olhar a todo o céu, diz que o [U]m é o [D]eus” 2. Visto por muitos menos como um filósofo e mais como um reformador religioso, Xenófanes teria sido, portanto, um dos pioneiros nesta concepção de Deus: o ser absoluto, sem começo ou fim no tempo ou no espaço, abstrato e inalcançável. Costuma-se atribuir ao seu pensamento o início simbólico da Escola Eleata, cujos pensadores mais notáveis viriam a ser Parmênides, Zenão e Melisso.
Dos fragmentos de seus pensamentos e poemas depreende-se ainda que Xenófanes ressaltava constantemente a importância da sabedoria e da racionalidade, através das quais seria possível ao homem alcançar explicações naturalistas para os fenômenos físicos que o cercavam. Aos mesmo tempo, Xenófanes parecia reconhecer a limitação do conhecimento humano devido à limitação de seus sentidos, abrindo assim um novo flanco na reflexão filosófica e cuja evolução posterior originaria uma nova disciplina, a epistemologia. Outros de seus temas tinham aspectos morais: as críticas, por exemplo, à busca pela riqueza, ao culto ao corpo (em detrimento à sabedoria) e à luxúria.
Notas
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Transcrito a partir do livro Os Pensadores, Vol. I - Os Pré-socráticos (Editora Abril - 1ª edição, agosto de 1973), página 70. Tradução de Anna Lia A. de Almeida Prado. ↩
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Transcrito a partir do livro Os Pensadores, Vol. I - Os Pré-socráticos (Editora Abril - 1ª edição, agosto de 1973), página 67. Tradução de Wilson Régis. ↩